Sangue rentável

A arrebatadora história de amor entre uma adolescente mortal e um vampiro que agradou em cheio a leitores carentes de doses gigantescas de melodrama, só poderia ter sido um tiro certeiro de um gigante do mercado editorial, certo? A resposta é negativa, se falarmos da série Crepúsculo, lançada em 2005. A autora, Stephenie Meyer, 36 anos, gerou os personagens após um sonho, dois anos antes da primeira publicação. Até aquele momento, nunca havia escrito uma linha. Se ocupava em cuidar do marido e de três filhos pequenos no interior do Arizona, seguindo a educação tradicional que recebeu dos pais, mórmons.

Esses e outros aspectos da mulher comum que se transformou no principal fenômeno editorial da década não passaram incólumes pelo jornalista Marc Shapiro, que escreveu Stephenie Meyer – A Biografia Não-Autorizada da Criadora da Saga ‘Crepúsculo” (Editora Jardim dos Livros, R$ 29,90, 208 páginas).

Shapiro é especialista em biografias de celebridades. Tem mais de dez publicadas. Entre elas, a da britânica J.K. Rowling, mãe de Harry Potter e, agora, milionária. Como qualquer obra do tipo escrita sem a colaboração, ele baseou-se em centenas de entrevistas e aparições de Stephenie para divulgar os livros Crepúsculo, Lua Nova. Eclipse e Amanhecer. Os quatro títulos venderam juntos mais de 90 milhões de exemplares.

O autor parte do ponto em que, já reconhecida por sua obra, a autora demonstra os primeiros sinais de cansaço diante de tanta pressão por sucesso. A partir daí, desenrola a trajetória da menina que, como Bella, a mocinha de sua saga, não era exemplo de popularidade no colégio.

Embora os pais tivessem uma visão progressista, ela e os irmãos tinham de submeter os discos a uma censura prévia. A Universidade lhe garantiu, além do diploma em Literatura Inglesa, o primeiro contato com o rock (Stephenie costuma escrever enquanto ouve a bandas como Muse, Smashing Pumpkins e Interpol).

O curso ampliou o olhar da garota, mas não fez com que abandonasse os preceitos religiosos. Casou-se virgem aos 21 anos e tornou-se dona-de-casa. Além da visão livre de sexo que conferiu a seus romances, sua visão ingênua lhe rendeu problemas. Pouco antes do lançamento de Eclipse, emprestou o valioso manuscrito a um parente. Logo, dezenas de cópias circulavam pela cidade, para desespero de sua editora.

Fonte: Ângela Corrêa – Diário do Grande ABC

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